|
|
 |
Quinta-feira, Abril 29, 2004 |
 |
 |
02:28 . Conjuntiva de cabeça Eu não me considero um hipocondríaco. Sou, digamos, grau 3 na escala de 0 a 10 de hipocondriência. Mas estou desconfiado que a quantidade de imagens de pessoas com conjuntivite que eu vi na TV e nos jornais hoje contaminaram os meus olhos com um conjuntivite psicológica. Só de pensar na possibilidade de pegar a tal doença incômoda, só de lembrar que eu não devo coçar os olhos, só de saber que os alunos da minha mãe daqui a pouco estarão todos de olhos inchados e que ela provavelmente trará o vírus para casa, os meus olhos já estão se conjuntivando.
Só viruzinhos imaginários, tudo psicológico, tudo coisa de cabeça ... ou não. Saberei nos próximos dias.
|
 |
Terça-feira, Abril 27, 2004 |
 |
 |
16:27 . Kátharsis "Por que a morte ao vivo é tão fascinante? Bem, primeiro pelo mecanismo do ?antes ele do que eu?, o que nos dá uma mistura de medo com alívio. O espetáculo da morte alivia a tensão, porque nosso ódio é purificado por uma espécie de ? kátharsis pós-moderna?. Explico. A kátharsis antiga da tragédia grega visava a justamente integrar o indivíduo na polis ; já a kátharsis de hoje nos isola da sociedade, nos desintegra, nos ?aliena?. Os assassinados pagam por nossas humilhações, ódios e sapos engolidos. Há algo de sinistramente ?revolucionário? na violência: a negação da ética, da compaixão, do ?outro? ? esse chato com que nos obrigam a conviver. Curtimos a beleza dos golpes, dos tiros, de todo o charme das penetrações e sangue espirrando. Vocês viram o ?Clube da Luta²? e tantos outros? Teremos agora o ?Kill Bill? do Tarantino, que, aliás, é uma bosta. A morte como espetáculo se transmite como um vício. Se há 50 anos Auschwitz nos chocou com os corpos todos empilhados em pirâmides nas valas, hoje a morte vem aos poucos, mas, todo dia, vem em pílulas, de todos os tipos, trazida por homens-bomba, xiitas sangrando, pitbulls, bandidos e canibais. Os horrores das duas guerras mundias foram mais chocantes (e também mais esquecidos) porque os meios de comunicação de massas não eram tão onipresentes. Vamos nos acostumando aos corpos mutilados e rompidos, aqui, no Iraque, na Palestina, os cadáveres no carrinho de mão da Rocinha, tudo nos vai dando um leve torpor conformado, um desalento que nos desobriga de ter esperança, nos traz o tédio diante do entusiasmo, da criação, da arte, prefigurando a derrocada da filosofia, o fim da política, a morte de Platão finalmente.
Junto com o fim de uma harmonia possível, vem a desesperança e, com ela, reina absoluto o narcisismo solitário. Sem esperança, tudo vira egoísmo. A intensa modernidade da personagem de Claudia Abreu (Laura) na novela ?Celebridade? prova isso. Ou a fascínio que exerce sobre nós o canibal Hannibal de Anthony Hopkins no ?Silêncio dos inocentes?. É como se eles fossem mais livres, pois são livres da moral e da compaixão. Assim, o ?outro? passa a existir somente como objeto a ser comido. Ser desumano é in .
Antropofagia. As elites competem e disputam prestígio a qualquer preço, comendo quem passa perto. O objetivo a conquistar não é mais riquezas, mas a glória de vender a si mesmo. Qualquer mulher que se destaque, digamos, na medicina ou física nuclear, se for gostosa, tem de aparecer nua na ?Playboy?. Antropofagia. Na internet ou revistas nuas, a cascata de corpos parece um holocausto sexual: montes de corpos se oferecem passivos, mortos de desejo, para serem comidos. Antropofagia."
[ Nosso coração está cada vez mais frio, Arnaldo Jabor, O Globo, íntegra aqui ]
|
 |
15:13 . Meme da página 23 "PROMETEU - Invejo a sorte que tens de não ser tratado como delinqüente depois de ter participado de tudo, depois de teres sido sócio de minha audácia." (Prometeu Acorrentado, Ésquilo)
Para participar, pegue o livro mais próximo e copie no seu blog a quinta frase da página 23, junto com essas instruções (eu ainda acho que a brincadeira seria mais divertida se tivéssemos que copiar o parágrafo inteiro).
|
 |
Segunda-feira, Abril 26, 2004 |
 |
 |
15:10 . Índole Centro do Rio, Avenida Rio Branco esquina com a São José, 13:30. No horário de maior movimento o sinal da Rio Branco fecha e uma massa de pedestres imediatamente começa a atravessar. Um carro importado azul não pára e vai cortando a multidão, avançando sob protestos e xingamentos. De longe vi que a mão do passageiro, que falava no celular, reluzia de tanto ouro enquanto balançava, gesticulando e mandando o motorista seguir. Quase bate com outro carro no cruzamento, depois quase bate em um ônibus, o povo xinga, mas o carrão continua avançando. Leio na placa que ele é registrado na cidade de Timóteo, MG. É quando eu reconheço que no carona, falando no celular e mandando insistentemente que o motorista não pare, está o próprio Agnaldo, cantor romântico, camelô e político da pior qualidade.
Ah bom.
|
 |
Sábado, Abril 24, 2004 |
 |
 |
22:25 . Falindo de novo Recebi por e-mail:
Rosinha eleva em 2.025% gasto com publicidade da Folha de S.Paulo, no Rio
A governadora Rosinha Matheus (PMDB) aumentou em 2.025% o gasto com publicidade em seu primeiro ano de mandato. Enquanto isso, de janeiro a outubro de 2003, o déficit orçamentário chegou a R$ 1 bilhão, e o déficit previdenciário, R$ 2,5 bilhões.
Os dados estão em relatório do Tribunal de Contas do Estado. A suplementação mais expressiva foi para o "Programa de Divulgação das Ações de Governo", da Secretaria de Comunicação Social. A dotação inicial (R$ 80,2 mil) foi a R$ 6,9 milhões. Para 2004, Rosinha reservou R$ 100 milhões para a publicidade (São Paulo reservou R$ 30 milhões, e Minas Gerais, R$ 10 milhões).
O TCE aponta um déficit de R$ 486 milhões no Estado. Até outubro, o Rio arrecadou R$ 19,5 bilhões, mas gastou R$ 20 bilhões. O déficit chega a R$ 1 bilhão com o pagamento do 13º salário de 2003. O maior foco de desequilíbrio é o Rioprevidência: segundo o TCE, o déficit é de R$ 2,5 bilhões.
|
 |
Terça-feira, Abril 20, 2004 |
 |
 |
14:02 . Yorgut Afinal, para que serve o Orkut?
|
 |
Sexta-feira, Abril 16, 2004 |
 |
 |
19:48 . O canto da sereia Estudo norte-americano prova que baixar músicas pela internet não causa queda nas vendas de CDs "Quando a indústria fonográfica americana lançou, em 23 de março, uma nova onda de processos legais contra pessoas que baixam música ilegalmente pela internet, mal podia imaginar que, em breve, os réus poderão dispor de uma poderosa arma contra o principal argumento das gravadoras. Dois pesquisadores americanos divulgaram, dias depois do novo ataque da indústria, a primeira versão de um estudo acadêmico que prova, por A mais B, que o efeito dos downloads sobre as vendas de CDs é insignificante. (...) ?Descobrimos que a troca de arquivos não tem efeito estatístico significativo sobre as vendas dos discos em nossa amostra?, dizem os pesquisadores. ?No máximo, a troca de arquivos pode explicar uma fração mínima da queda nas vendas. O resultado nos parece plausível, uma vez que filmes, softwares e videogames também são ativamente baixados da rede, mas estas indústrias continuam a crescer.?
A indústria fonográfica alega que, após vivenciar um pico, a virada ocorreu em 2001. Segundo dados da Recording Industry Association of America (RIAA), as vendas dos fabricantes de CDs às lojas dos EUA caíram 6,4% de 2000 para 2001. Em 2002, a queda foi de 8,9% e em 2003, de 7,1%. Com 745,9 milhões de CDs vendidos às lojas em 2003, entretanto, a indústria voltou ao patamar de 1997, quando foram enviados 753,1 milhões de unidades às lojas.
No Brasil, a receita com a venda de CDs caiu 56%, em termos reais, em 2002, se comparada a 1997, segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD). No mercado nacional, contudo, a maior dificuldade para a indústria é a pirataria e os downloads da internet ainda não representam uma ameaça aos fabricantes.
Os autores do estudo dizem que, mesmo no pior dos cenários, seriam necessários 5 mil downloads para reduzir em uma cópia as vendas de um determinado CD. A conclusão, segundo eles, é que, embora os downloads ocorram em ampla escala, provavelmente não são feitos pelas mesmas pessoas que iriam às lojas comprar CDs caso não houvesse troca de arquivos pela internet."
Artigo da Carta Capital, na íntegra aqui.
|
 |
13:39 . Troque sua criança por um cachorro pobre É a Roberta que manda o recado:
"Há dois dias, encontrei uma cadelinha de aproximadamente 2 meses, na rua. Ela ia ser atropelada então fiquei com pena e trouxe para casa. Como já tenho duas, não posso ficar com ela, mas gostaria de arrumar uma casa e um amigo ou amiga para adotá-la.
O nome dela é Graúna, é uma vira-latas branca e marrom, de porte bem pequeno, muito inteligente, brincalhona e carinhosa. Em 15 minutos você se apaixona por ela!!
Se souberem de alguém que queira uma amiga fiel e companheira, por gentileza me avisem o mais rápido possível (tel:3852-0349). Se puderem repassar essa mensagem, eu agradeço."
Quem não puder adotar, por favor, divulgue e repasse para alguém que queira.
|
 |
Quinta-feira, Abril 15, 2004 |
 |
 |
21:26 . Algodão doce Entre no site do Daniel Azulay e ouça ele assobiando e dizendo "algodão doce pra você". Agora!
|
 |
17:55 . Puxando coro
 Eu ouvi impeachment?
|
 |
Quarta-feira, Abril 14, 2004 |
 |
 |
15:11 . Barata tonta Se tem uma coisa engraçada nos casos Rocinha e Staheli é ver o nosso estimado secretário de segurança em um verdadeiro inferno astral.
"Irritado e aparentemente confuso, Garotinho acusou parcela da imprensa de exagerar na divulgação dos confrontos entre criminosos no Rio. O governador minimizou a violência no Rio e sugeriu que a situação não é diferente do que acontece em São Paulo.
- Qual é o problema do Rio? E os seis que morreram ontem em São Paulo? E os dez que morrem todos os dias nas capitais? - comparou o secretário.
Garotinho ficou especialmente irritado quando foi perguntado se estaria defendendo uma intervenção também em São Paulo. O secretário disse que não e criticou o repórter.
- Sua pergunta é muito infantil e não está à altura da sua inteligência - atacou."
Ainda não consegui entender como o secretário e a governadora Rocinha acham que falar mal de São Paulo pode de alguma forma amenizar o que os cariocas estão vendo acontecer bem debaixo dos seus narizes. Não é o tipo de fato isolado, que podemos acusar a imprensa de estar exagerando, não é "sensação de insegurança" como eles gostam de falar, é rotina na cidade.
Aliás, a crítica que eu tenho para a imprensa - e que já repeti dezenas de vezes aqui - é exatamenta a oposta: gostaria de ver essa ênfase que é dada na cobertura dos conflitos da Rocinha, que é uma favela bem localizada, no eixo econômico da cidade, sendo aplicada nos conflitos que rolam diariamente na Zona Norte. Os conflitos nessa região fazem tantas ou mais vítimas que os da favela na Lagoa-Barra e já duram bem mais tempo, com pouca ou nenhuma atenção dos governos e da imprensa. Sem cobrança de medidas enérgicas, liberação de recursos, intervenções federais ou sequer idéias estabanadas como constuir muros. Teriam essas vítimas menos valor?
|
 |
Terça-feira, Abril 13, 2004 |
 |
 |
20:13 . 21ml Quando escolhi comprar uma impressora HP930C levei em conta o fato do seu cartucho ser bem maior do que outros modelos. Apesar do preço alto - cerca de R$110,00 - o cartucho preto com 42ml rendia meses de uso pesado e no fim compensava. Por isso mesmo tomei um susto quando fui comprar um novo esta semana e encontrei um aviso na embalagem dizendo que o conteúdo do cartucho foi diminuido pela metade e o preço baixado para R$86,00. Qualquer semi-alfabetizado em matemática percebe que apesar de ter apenas 21ml e durar metade do que durava, o novo cartucho tem bem mais da metade do preço. Mais uma vez, o consumidor se deu mal. A HP só colocou o seguinte texto no site:
"Com esses lançamentos, a HP atende a dois segmentos: o dos usuários domésticos com pouca necessidade de impressão, que passam a contar com um cartucho contendo metade da tinta do produto anterior e menor preço; e o dos clientes corporativos que têm grande volume de impressão, que podem adquirir uma embalagem com dois cartuchos. A versão anterior de cada modelo não será mais comercializada pela HP Brasil."
Só dá para classificar como falta de respeito ao consumidor e um incentivo à compra de cartuchos remanufaturado e piratas. Eu, pelo menos, que sempre comprei originais, não tenho dúvidas de que optarei pelo remanufaturado na próxima compra.
|
 |
Domingo, Abril 11, 2004 |
 |
 |
18:28 . Liberdade para todos nós DJ!
 Como prometido aí vai uma foto da estátua da liberdade do motel New York, em Juiz de Fora, para fazer companhia à obra prima de Floripa. O preto e branco foi acidental.
|
 |
Quarta-feira, Abril 07, 2004 |
 |
 |
02:55 . Zacarias não morreu "Cida, você tem um ótimo talento para programas humorísticos. Se o Didi te convidar, você aceita?", é a pergunta no chat da Globo.com. "Aceito", responde a babá, sem hesitar.
[ aqui ]
|
 |
Segunda-feira, Abril 05, 2004 |
 |
 |
22:39 . Paraibando A nova onda da "personalização veicular" é a colocação de duas luzinhas azuis no capô, ali nos esguichos d'água, imagino eu. Coisinha chiquérrima e de extremo bom gosto que já tá fazendo o maior sucesso no além-túnel.
|
 |
Sexta-feira, Abril 02, 2004 |
 |
 |
22:55 . Apropriação de nome Um banco chamado Van Gogh? O pintor deve estar dando voltas no túmulo.
|
 |
14:49 . 10.000 x 4 Meu Deus! Fizeram com 4 civis americanos o que eles fizeram com quase 10 mil civis iraquianos! Oh!
|
 |
Quinta-feira, Abril 01, 2004 |
 |
 |
01:21 . Apesar de você Hoje você é quem manda Falou, tá falado Não tem discussão A minha gente hoje anda Falando de lado E olhando pro chão, viu Você que inventou de inventar Toda a escuridão Você que inventou o pecado Esqueceu-se de inventar O perdão
Apesar de você Amanhã há de ser Outro dia Eu pergunto a você Onde vai se esconder Da enorme euforia Como vai proibir Quando o galo insistir Em cantar Água nova brotando E a gente se amando Sem parar
Quando chegar o momento Esse meu sofrimento Vou cobrar com juros, juro Todo esse amor reprimido Esse grito contido Este samba no escuro Você que inventou a tristeza Ora, tenha fineza De desinventar Você vai pagar e é dobrado Cada lágrima rolada Nesse meu penar
Apesar de você Amanhã há de ser Outro dia Inda pago pra ver O jardim florescer Qual você não queria Você vai se amargar Vendo o dia raiar Sem lhe pedir licença E eu vou morrer de rir Que esse dia há de vir Antes do que você pensa
Apesar de você Amanhã há de ser Outro dia Você vai ter que ver A manhã renascer E esbanjar poesia Como vai se explicar Vendo o céu clarear De repente, impunemente Como vai abafar Nosso coro a cantar Na sua frente
Apesar de você Amanhã há de ser Outro dia Você vai se dar mal Etc. e tal
Chico Buarque, 1970
|
 |
|
 |
|