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Quinta-feira, Fevereiro 27, 2003 |
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00:26 . ê©trªst%^rê Caracteres estranhos no meio do blog. Deve ser o efeito G©©gªle.
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00:11 . Fundo de Quintal
 "Tenho uma boa notícia para vocês: o Rio teve uma madrugada tranqüila." (Secretário de Segurança Josias Quintal, terça-feira às 10 da manhã após uma madrugada onde foram queimados três ônibus)
"Claro que a situação ainda não está calma, mas está se abrandando. Ontem (segunda-feira) foram 25 ônibus queimados. Se hoje (ontem) foram três, é sinal que o ritmo da baderna está diminuindo." (Secretário de Segurança Josias Quintal, terça-feira à tarde, após ficar sabendo dos acontecimentos da madrugada)
"Nosso bloco está na rua. Se tiver que ter conflito armado, que tenha. E se alguém tiver que morrer por isso, que morra. Nós vamos partir para dentro. Não tem conversa" (Secretário e Carnavalesco Josias Quintal, quarta-feira à tarde, adotando o enredo do prendo e arrebento)
Esse cara é um gênio, estamos muito bem servidos.
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Quarta-feira, Fevereiro 26, 2003 |
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02:35 . Bronze Como punição por ter coordenado uma ação que incendiou mais de 20 ônibus no Rio de Janeiro, o secretário de segurança resolveu cortar o banho de Sol do Beira-Mar. Podia ser pior, podiam ter liberado o solzinho mas tirado o Sundown do traficante. Isso sim seria uma grande maldade!
Em tempo, o traficante já encomendou por celular umas câmaras de bronzeamento artificial para manter a cor enquanto estiver de castigo.
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01:46 . Desinformação Enquanto faz campanhas engraçadinhas que relacionam o preservativos somente à AIDS, o Ministério da Saúde deixa de comunicar que o seu uso é importante para evitar outras doenças sexualmente transmissíveis muito mais comuns. Por exemplo, pouca gente sabe que o HPV é um vírus incurável que infecta homens e mulheres e é a principal causa do câncer de colo do útero. Mais importante, poucos sabem que este vírus infecta cerca de 25% da população brasileira sexualmente ativa e fica sem se manifestar por anos, dificultando sua detecção por exames. Como ainda não existe uma vacina, a tendência é que no futuro toda a população sexualmente ativa tenha pelo menos um dos tipos deste vírus. Maravilha né?
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00:14 . Ministério cachorrinho
 Lendo o Meio e Mensagem descubro que a campanha contra AIDS do Ministério da Saúde este ano é focada nos adolescentes: "Segundo dados do ministério, a incidência de Aids dos 13 aos 19 anos, ao contrário das outras faixas etárias, é maior entre as meninas(...). O grupo das adolescentes estaria mais vulnerável, de acordo com o ministério, especialmente porque as meninas iniciam a atividade sexual cada vez mais cedo, em geral com homens mais velhos, o que faz com que se sintam intimidadas. Ao usar a imagem de Kelly Key associada à idéia de uma jovem independente, que sabe o que quer, o governo pretende incentivar as jovens a negociar o uso da camisinha com o parceiro."
Para quem não viu a campanha, a cantora entra em uma na farmácia enquanto dois vendedores ficam olhando excitados. Em um eufenismo de papo cafajeste, especulam qual produto ela procura, até que ela pergunta onde eles colocam a camisinha. Eles olham para baixo e acabam indicando um pratileira. A cantora sai com o preservativo e o slogan encerra: "Mostre que você cresceu e sabe o que quer. Neste carnaval use camisinha". Tudo muito engraçadinho né?
Estou na praça de alimentação do shopping quando uma barulheira infernal anuncia a recreação infantil dominical. Um grupo de umas doze crianças, de seis a uns dez anos - se prepara para participar de gincanas enquanto rebolam ao som da xerox tupiniquim da Britney Spears. As meninas sabem de cor a letra da baba: "E pra não dizer que eu sou ruim / Vou deixar você me olhar / Só olhar, só olhar, baba / Baby baba, olha o que perdeu / Baba, criança cresceu / Bem feito pra você, é / Agora eu sou mais eu / Isso é pra você aprender / A nunca mais me esnobar". A dança das cadeiras é embalada em outro hit, aquela do cachorrinho, feita como uma respeitosa e saudável homenagem ao ex-namorado Latino. "Vem aqui! / Que agora eu tô mandando / Vem meu cachorrinho / Sua dona tá chamando...". Baba Baby e Cachorrinho são músicas infantis, líricas e inocentes, em época de éguas pocotó.
A cantora siliconada é, inegavelmente, uma ídola de milhares de crianças e pré-adolescentes brasileiras. Prestes a passar por um longo período cheio de dúvidas, as meninas vão cantando seus relacionamentos turbulentos e se espelham naquela que, segundo o Ministério da Saúde, sabe o que quer. Quando aos treze anos cairem nas mãos e lábia de algum marmanjo, elas não precisar ficar mais na dúvida: vão dar logo e mostrar que já cresceram, são jovens independentes e que sabem o que querem... mesmo que não saibam.
O que mais me incomoda no slogan do Ministério da Saúde não é apelar para uma cultura baixa para comunicar com o público alvo. O problema é que o público alvo atingido é, ao meu ver, muito maior do que o pretendido, atingindo uma faixa de crianças e pré-adolescentes que não estão preparadas para falar sobre o assunto. Mais do que isso, o slogan é de imensa infelicidade. Assim como as espinhas, a adolescência tem como principais sintomas a insegurança do adolescente, a sua necessidade em ser aceito e mostrar que já cresceu. Ao incitar as adolescentes a mostrarem que sabem o que querem e usarem preservativos, o Ministério da Cultura e a agência de publicidade Master estão colocando aquelas que não usam camisinha simplesmente porque fizeram uma opção consciente de não ter relações sexuais em um conjunto oposto - o das que não cresceram e das dependentes que não sabem o que querem.
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Terça-feira, Fevereiro 25, 2003 |
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01:36 . Joio e trigo Uma pena o Cidade de Deus não ter concorrido ao Oscar, o filme é talhado para levar um careca de ouro. E isso não é um elogio.
Em tempo, na hora de ir ao cinema não percam tempo vendo o simpático-mas-absolutamente-dispensável Deus é Brasileiro. Entrem na sala ao lado e assistam ao ótimo Houve uma Vez Dois Verões de Jorge Furtado. O outro você vê depois na Globo.
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Terça-feira, Fevereiro 18, 2003 |
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02:58 . Queixo caído
 Costumo dizer que bocejo e mau humor são as duas doenças mais contagiosas que existem. O primeiro ainda mais do que o segundo: é quase impossível ver alguém bocejando sem sentir vontade uma vontade patéticamente incontrolável de espelhá-lo. Pois bem. Ouvi agora no programa do gorducho do ego grande que o maxilar pode se soltar durante um bocejo. Eu não peguei o nome técnico - algum médico ou dentista, ajude-me - mas o apresentador contou que inclusive já presenciou um acontecimento deste tipo em um bar de Botafogo. O rapaz abriu uma bocarra daquelas - 30 centímetros de diâmetro, 38 dentes para fora, olhos cheios de lágrima - e de repente o maxilar se soltou, ficando pendurado na altura do colo. Segundo o médico especialista entrevistado - codinome Feijão - existe um procedimento para reencaixar, mas em alguns casos a lesão nunca é completamente recuperada. O indivíduo acaba tendo que tomar cuidado para sempre na hora de bocejar ou rir, do contrário pode vir a deslocar o maxilar novamente. É o tipo de informação que muda a vida da gente ou, pelo menos, a forma de bocejar.
Quanto a você, meu nobre leitor, dê mais uma boa olhada na foto de cima, leia mais alguns dos meus textos sonolentos e aproveite para dar um looooooooongo e relaxante bocejo. Em caso de algum deslocamento de maxilar, não esqueça de perguntar ao seu médico o nome técnico para depois me dizer.
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Sexta-feira, Fevereiro 14, 2003 |
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01:20 . Rock and Roll Não nego que este poderio bélico dos calçamentos do Rio pode nos ser útil um dia. Caso dê na veneta do tio Sam de nos apontar seus dois mil canhões - seja para tomar a Amazônia ou depor o nosso presidente - não precisaremos nos quedar paralisados, prontos pra virar geléia. Quando os inspetores da ONU tomarem nosso porta aviões Minas Gerais* alegando que os altos índices de tétano proporcinados por sua carcaça enferrujada podem ser utilizados como armas biológicas de destruição em massa, pisarão sem perceber nas poderosas pedras portuguesas. Poderemos então erguer nossos pedregulhos e expulsar a gringalhada em uma chuva preto e branca. As pedras serão os nossos mísseis patriot, que vamos enfiar nos scud dos gringos para defender o nosso florão da América enquanto esperamos um inepto apertar o botão do nosso juízo final.
* irônico mesmo é o gajo que nomeou o único porta aviões da marinha brasileira em homenagem a um estado que não é banhado pelo mar.
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01:20 . Pedras portuguesas com certeza Provavelmente o gajo que escolheu o revestimento de pedras portuguesas para revestir as calçadas do centro do Rio não imaginou as verdadeiras guerrilhas que seriam travadas sobre elas. É um belo calçamento, devo admitir. A combinação de pedras pretas e brancas possibilita a criação de desenhos simpáticos como as curvas do calçadão de Copacabana que, assim como as bundas de nossas mulatas, já fazem parte dos cartões postais cariocas mais populares.
Mas as tais luso-pedrinhas têm um problema gravíssimo. Qualquer um que já teve a experiência de tropeçar em uma delas deve ter reparado a sua forma e peso. Pois elas são cortadas em forma de trapézios, nem muito grandes nem muito pequenos, que cabem perfeitamente na palma de uma mão de um cidadão de estatura mediana. Apesar do tamanho são relativamente pesadas, mas não o suficiente para que não possamos pegá-las e arremessá-las sem maior esforço. Suas arestas provêem a aerodinâmica necessária para atingir altas velocidades e, ao atingir o alvo de ponta, fazer um belo de um estrago. Uma vez na mão, a pedra praticamente nos convida a um arremesso. A mistura destas características físicas com as características sociais do nosso país é explosiva. Deve ser por estes motivos que, em dias de pancadaria entre policiais e camelôs no centro do Rio - ou seja quase todo dia - é comum ver mais dessas pedrinhas riscando os céus da cidade do que propriamente executando suas funções originais de revestir calçadas.
Quando prefeito, vou substituir todas essas belas pedrinhas por calçadas de cimento vagabundo e farinhento. Afinal, qualquer guarda municipal ou prefeito de Simcity sabe muito bem que calçar um centro urbano com pedras portuguesas é o mesmo que armar a população revoltada.
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