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Sexta-feira, Novembro 29, 2002 |
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00:17 . Proibido? Acho engraçada essa lei que pretende proibir que se fume dirigindo. É claro que acender um cigarro pode distrair o motorista, mas se continuarmos nesse ritmo em breve estaremos proibindo tudo que possa causar qualquer distração, como trocar o CD ou mesmo a estação do rádio. Conversar com o carona pode ser perigosíssimo, mais ainda se for uma discussão, logo, a partir de agora é proibido discutir ao dirigir! Botar a mão na perna da namorada passa a ser crime... aliás, terão que proibir mulheres boazudas nas calçadas que comprovadamente causam diversos acidentes e muitas torções de pescoço.
A verdade é que em nada me incomoda que fumem enquanto dirigem. O trânsito já fede a fumaça de qualquer jeito e não tem como piorar. Pelo contrário, por mim poderiam instituir uma lei dizendo que os fumantes só poderiam fumar enquanto estivessem dirigindo. O trânsito ia piorar um pouco, mas os bares e restaurantes ficariam um paraíso.
Pessoalmente, às vezes me distraio pensando sozinho... vou viajando e quando vejo já cheguei no lugar. Mais freqüentemente ainda me distraio com a paisagem, ao ponto dos motoristas de trás terem que buzinar para que eu acorde. Será que vão me proibir de pensar e olhar o cais do porto enquanto estou indo para a faculdade? E lei que proíba de tirar fotos enquanto dirige, tem? Questão de tempo.
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Quinta-feira, Novembro 28, 2002 |
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23:59 . Praia da Bica
 O pôr do Sol da Ilha do Governador não chega a ser o de Niterói mas também tem sua beleza. O de hoje tava especial e eu aproveitei para tirar essa panorâmica na Praia da Bica. Clicando aqui você vê maior.
Aliás, sair para ver o pôr do Sol quando quiser é uma das coisas boas de ser freelancer.
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23:59 . Trabalhando em casa Estou prestes a completar seis meses fora de uma empresa e nada melhor do que a época em que eu deveria estar recebendo o meu 13º salário para repensar o que é bom e o que é ruim em trabalhar por conta própria em casa. Acabei fazendo uma lista torta do que é bom e ruim nessa vida incerta.
Benesses - Com exceção da faxineira, tumultuando o corredor nas segundas e quintas, eu não pego nenhum trânsito no caminho para o trabalho; - Deu praia de manhã? Sentiu vontade de ir à uma exposição no meio da tarde? Sem problemas, você tem toda a liberdade de compensar trabalhando madrugada a dentro; - Não tem que dar satisfação a ninguém além de você mesmo (e seus clientes é claro); - Quando tem que trabalhar 16 horas em um dia você sabe que quem vai ganhar dinheiro com isso é você e não o seu patrão; - O banheiro está sempre vazio, limpinho e cheiroso. Acredite, isso faz muita diferença. - Você tem direito a chutar o balde e tirar férias não remuneradas quantas vezes quiser por ano; - Você pode emendar todos os feriadões... e os feriadinhos também; - Você não tem que preencher relatórios, lançar horas e redigir aquelas atas de reunião inúteis que ninguém lê; - Você não tem que ir para São Paulo às pressas porque o atendimento marcou uma reunião e esqueceu de te avisar; - Ninguém promete uma rica bonificação de final de ano e depois diz que você não vai receber nada porque a empresa não bateu as inatingíveis metas para o ano; - Paradas no meio da tarde para assistir aquele episódio do Seinfeld não só são permitidas como altamente recomendadas; - Você tem toda a sua coleção de CDs à disposição para ouvir no volume que bem entender. E o melhor, sem ter que depois compensar ouvindo o CD de Axé do companheiro de baia no volume que ele quiser. - O único telefone que toca na sala é o seu e não tem aqueles ringtones ridículos;
Mazelas - Você não tem certeza de nada, nunca. O projeto que parecia que ia rolar pode deixar de rolar na última hora e você que já estava contando com o ovo dentro da galinha se ferra. Aliás, já vi ovos que já estavam no ninho voltarem para dentro quando a gente menos espera; - Não tem 13 salário. Aliás, às vezes não tem o 12º, o 11º, o 10º... - Não tem ninguém para falar o dia inteiro. Os amigos mais próximos estão no ICQ e, como você não tenho conexão dedicada, os papos têm que ser rapidinhos; - Tem ar condicionado, mas como você que paga a conta acaba apelando para o ventilador mesmo; - A comida é o que você arrumar e, como não tem ticket, esqueça aquele delicioso quilo que você ia no seu antigo emprego; - Não existe fronteira entre seu trabalho e sua vida pessoal. Você faz layouts domingo à noite, atende clientes no meio do jantar e enquanto está dirigindo; - Ninguém acredita que você queira ser free lancer. Sempre perguntam se você já arrumou emprego e, quanto você diz que não está procurando porque prefere tentar ser autônomo, fazem uma cara incrédula: "sei, ainda não arrumou nada e fica tentando me enganar com essa história de freela".
A namorada colocou uma FAQ ótima sobre a vida dela de freelancer que também tem muita coisa a ver com a minha. É só trocar a palavra "cerâmica" por "faculdade" que de resto tá perfeito.
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20:26 . Foto na banca de jornal
 Eu comecei comprando a revista Fotografe Melhor logo que ela foi lançada. Comprei alguns exemplares e depois parei quando percebi que o lance deles era colocar uma mulher seminua na capa e reportagens bem mais ou menos no meio. Pois bem, recentemente resolvi dar uma segunda chance para a publicação e fui surpreendido pela sua evolução. Apesar de ainda ter uma ênfase um tanto exagerada na fotografia de nu - neste último número fala até sobre um fotógrafo de pornô - a revista ganhou mais páginas, reportagens interessantes como bons fotógrafos e algumas boas reportagens técnicas de testes de máquinas. Enfim, uma boa e barata revista para fotógrafos amadores como eu.
Outro bom lançamento pra quem curte fotografia é o especial da Viagem e Turismo somente com grandes fotos de pontos turísticos ao redor do mundo. A edição que está nas bancas retrata em mais de 100 belas fotos o colorido e os contrastes da Índia. Pelo baixo preço da publicação, é o mais perto de um bom livro de fotografia que você chega. Aliás, parte das fotos está disponível em uma galeria no website da revista e pode ser comprada online.
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01:43 . Receita rápida para fazer produtos diet 1. Retire todos os ingredientes que dão sabor ao alimento; 2. Coloque em uma embalagem pequena, com metade do volume do produto normal; 3. Escreva light na tampa e diga que tem metade das calorias; 4. Venda pelo dobro do preço;
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Segunda-feira, Novembro 25, 2002 |
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17:36 . Massa em duas rodas Outro dia eu estava no meu tradional engarrafamento matutino quando atentei para as ordas de motoqueiros que cortavam aquele mar de carros parados. Eu bem me lembro de um tempo não muito distante em que às vezes éramos ultrapassados por uma moto no trânsito, mas o fenômeno que está acontecendo é assustador. Na verdade já foi amplamente discutido por aí: o alto preço dos carros e da gasolina somadas à facilidade de comprar motos por consórcio no regime de estabilidade econômica do plano real gerou um boom de motocicletas nas nossas ruas. Mas só noutro dia, quando eu me senti acuado dentro das minhas quatro rodas pelas imensas fileiras de duas rodas que cortavam o entre carros do engarrafamento que eu atentei para as proporções que essa popularização da motocicleta está tomando. Qual o futuro da tradicional guerra entre carros e motos se elas forem maioria?
Sabe aqueles filmes que a gente vê de algum país da Ásia com as ruas tomadas de bicicletas ou scooters enquanto os carros ficam expremidos lá no meio? É mais ou menos isso que eu vejo pro nosso futuro. Os carros expremidos entre motocicletas, pedindo licença para a massa de duas rodas, soberana do asfalto. Os veículos de quatro rodas serão proibidos de ter espelhos laterais - os poucos existentes já terão sido arrancados pelos motoqueiros - e obrigados a circular sobre as faixas brancas enquanto as motos dominam o centro da pista, com seu farol alto mesmo durante o dia e sua buzina estridente e intermitente. Os carros serão oprimidos e jogados no último degrau da cadeia alimentar trânsito para circular pelos cantos, pelas sarjetas.
Isso, é claro, até eu comprar o meu jipe Hummer gigante.
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17:34 . Aulas por litro O ponteiro do combustível nunca andou tão pra baixo como tem andado no meu carro. As últimas altas astronômicas da gasolina me deixaram com um profundo medo de cada parada no posto. O tanque do meu carro, que até bem pouco tempo ficava sempre entre R$55,00 e R$60,00, agora flutua fácil pela casa dos R$75,00. Nem os pontinhos a mais que estou juntando no Smart Club para trocar por uma mariola daqui há uns três anos servem de consolo para as largas somas gastas no posto. Se quando eu tinha emprego os aumentos da gasolina me deixavam de cabelo em pé, agora a situação é ainda mais assustadora.
Ao ponto que eu começo a fazer contas que parecem meio "mão de vaca" à uma primeira vista, mas que no fim do mês fazem toda a diferença na preservação meu saldo bancário - que em vias de extinção. Afinal, como diz o meu amigo Pin, conta de desempregado anda em movimento retilínio uniforme pra baixo. Ou quase isso.
Então já coloquei na cabeça que cada ida minha à faculdade custa pelo menos R$9,30. Afinal, 28 quilometros de ida e mais 28 de volta (sim, eu moro mal) multiplicados pela média de 12 km/l de gasolina a R$1,99 dá mais ou menos isso aí. Após chegar nessa cifra passei a ser mais criterioso quanto às minhas idas à faculdade: quando eu desconfio que tem uma chance do professor não ir ou só tenho uma aula muito caída eu penso mil vezes antes de colocar o meu carro na estrada para a Praia Vermelha. Aliás, vida de quem mora longe é cheia dessas coisas.
Um outro bom exemplo é quando eu tenho que entregar livros na biblioteca. Outro dia eu estava com três livros atrasados e como não tinha aula por aqueles dias eu teria que pagar multa. O calculo é fácil: 3 livros com multa de R$0,50 por dia, dá R$1,50 por dia. Logo, valia mais à pena atrasar os três livros por 6 dias, esperando um dia que eu tivesse que ir ao campus de qualquer jeito, do que pegar o carro só para devolve-los. Isso sem colocar no cálculo o fator "Risco de Vida" que a gente corre ao pegar a Linha Vermelha. Na locadora de vídeo o cálculo é mais ou menos o mesmo: se eu não tenho porque ir a Botafogo não vale à pena sair de casa só para devolver aqueles três DVDs que eu aluguei. Dá pra ficar mais dois dias e devolver na terça pagando R$9,00 de multa, que é menos do que a gasolina que eu gasto até lá.
Genial, não? Há seis meses quando eu tinha um gordo salário jamais pensaria em cálculos avançados de economia doméstica desse tipo.
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Quinta-feira, Novembro 21, 2002 |
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20:05 . O telemarketing do verador comunista Possuo uma linha telefônica há pouco mais de um ano que eu não divulgo para ninguém. Como tenho outra linha e uso esta somente para acessar a internet só dei este número meus pais e para a namorada, que a usam para ligar diretamente para o meu quarto.
Hoje uma atendente de telemarketing ligou, se identificando como do gabinete do vereador Gusmão, para desejar felicidades uma vez que meu aniversário foi no último dia 19. Completou dizendo que os telefones do gabinete estão à disposição e se despediu.
Pego de surpresa e emudecido pela simpatia da atendente eu simplesmente agradeci secamente e desliguei, mas este telefonema me incomodou o resto do dia. Nada a ver com o fato dele ter ligado com dois dias atraso, muito pelo contrário, mas sim pela chateação de ter a paz da minha tarde interrompida com um "telemarketing ativo". Sobretudo sendo a mensagem um automático desejo de felicidades enviado por um político do qual não sou eleitor. Sinto-me ainda mais invadido por ele ter usado o meu telefone particular, cujo número eu costumo proteger da já conhecida promiscuidade dos cadastros bancários, operadoras de cartão de crédito, editoras e outras empresas.
O que mais me incomoda é não saber como o vereador Gusmão teria conseguido o meu nome, número telefônico, provavelmente a minha idade - já que ele tem como eleitores o público jovem - e a minha data de aniversário? Será que a Telemar oferece esses dados? Não seria contraditório um vereador de um partido comunista partir para uma tática de marketing tão agressiva e tão comum em grandes corporações capitalistas? Estas ligações estariam partindo do gabinete, ou seja, sendo pagas pelo bolso do contribuinte? E, ainda mais, como fica o meu direito de não ser importunado pelo telemarketing do político?
De uma próxima vez, ao invés dos telefones do gabinete, vou pedir para a atendente o número do telefone particular do quarto do vereador. Assim poderei ligar para retribuir a gentileza e bater um papo na data de seu aniversário. Vamos ver se ele vai receber esta ligação com tão boa vontade quanto a seu telemarketing liga para possíveis eleitores.
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Terça-feira, Novembro 19, 2002 |
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03:46 . Concertos para a Juventude Quem mora ou trabalha em Botafogo, Urca, Copacabana, Flamengo, parte de Laranjeiras e Icaraí tem uma boa opção contra a mesmice das rádios locais. A Rádio Interferência é a rádio dos estudantes da UFRJ e pega na freqüência 91,5 FM nesta região que fica nas proximidades do campus da Praia Vermelha. A grade de programação é diversificada e democrática, você pode sintonizar em um horário e ouvir um refinado jazz e logo depois um pagode ou um programa especializado em música da República de Cabo Verde. Um barato.
Há duas semanas estacionei o meu programa nas terças feiras, das 16 às 18 horas. Chama-se Concertos Para a Juventude e toca um pouco de tudo, quase sem regras. A idéia é misturar coisas boas com algumas demências e versões raras. Coisas afins como Chico Buarque, Smiths, Genival Lacerda, Iggy Pop, Cartola, Los Hermanos, New Order, Oompa loompa, The Cure, Monty Phython, Moreira da Silva e Elvis Presley.
O programa de amanhã vai ser uma restrospectiva especial para comemorar o meu aniversário. Vou tentar ir do disco infantil Saltimbancos até o Stevie Wonder - que é o que eu tenho ouvido mais recentemente - passando pelas coisas boas e vários lixos que eu ouvi nesses vinte e seis anos de vida. Então é isso, quem estiver nas proximidades sintonize na Rádio Interferência 91,5 FM amanhã às 16hs e veja no que dá.
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03:17 . 26 Com 26 há três horas já. Até agora tudo bem.
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Sábado, Novembro 16, 2002 |
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16:41 . Grávida? Você já passou pelo constrangimento de perguntar a alguém para quando é o bebê e a mulher responder, meio sem graça, que não está grávida? Então teste aqui as suas chances de cometer esta gafe novamente.
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16:35 . Gaygle Ele se parece com o Google, faz busca como o Google e apresenta resultados como o Google... mas ele é Gaygle!
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00:57 . Caminhando
 O curioso é que há tempos eu também coleciono fotos dos meus pés. Desde que ganhei a máquina digital que eu cismei de tirar fotos caminhando sobre os mais diversos tipos de pisos. Comecei fotografando as calçadas que me levavam ao o trabalho e depois fui mudando para outros caminhos, só de sacanagem. Um dia desses faço uma galeria dessa e de outras coleções de fotos que eu faço e que acabo não colocando por aqui.
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Sexta-feira, Novembro 15, 2002 |
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23:31 . Foodlog Get in my belly é um foodlog. Na verdade é um fotolog onde um Nova Iorquino coloca fotos e observações sobre quase tudo que entrou no estômago dele. Inacreditável. Como se não bastasse ele criou também um Footlog, com fotos diárias dos pés, e um um outro site com fotos diárias do Sol nascendo. O pior é que ele conversa com ele mesmo nos comentários das fotos. Definitivamente um caso clínico.
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Quarta-feira, Novembro 13, 2002 |
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02:57 . Rapidinha de humor negro Corre por aí o boato de que o Yukka saiu do Rappa pra montar uma nova banda com o Herbert Vianna: Os Paralíticos do Sucesso.
Eu sei, piadinha infame, mas foi inevitável.
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02:48 . Lero lero Tá sem assunto pra escrever no blog? O negócio é recorrer ao fabuloso gerador de Lero-lero. É só digitar quantas linhas de texto você quer e voilá, você tem um post novinho em folha. Olha aí um exemplo:
Evidentemente, o consenso sobre a necessidade de qualificação maximiza as possibilidades por conta do levantamento das variáveis envolvidas. Neste sentido, a constante divulgação das informações causa impacto indireto na reavaliação das posturas dos órgãos dirigentes com relação às suas atribuições. É claro que o início da atividade geral de formação de atitudes deve passar por modificações independentemente de alternativas às soluções ortodoxas. Do mesmo modo, a execução dos pontos do programa prepara-nos para enfrentar situações atípicas decorrentes de todos os recursos funcionais envolvidos. O incentivo ao avanço tecnológico, assim como o acompanhamento das preferências de consumo garante a contribuição de um grupo importante na determinação das direções preferenciais no sentido do progresso. Todas estas questões, devidamente ponderadas, levantam dúvidas sobre se o julgamento imparcial das eventualidades aponta para a melhoria das condições financeiras e administrativas exigidas.
Já que a eleição passou e a próxima é só em 2004, eu vou usar muito o gerador daqui pra frente. Como ninguém lê meu site - só vê as figurinhas - duvido que alguém note a diferença. Ah, o gerador é um oferecimento do Padre Levedo.
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Terça-feira, Novembro 12, 2002 |
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23:47 . A Outra Há tempos que salivo pelas coleções de DVDs do Woody Allen. No entanto, neste final de semana tive a oportunidade de alugar A Outra, um dos filmes do diretor que eu nunca tinha visto e fiquei decepcionado. Não com o filme em si, que é brilhante, mas com a falta de cuidado da FOX ao editar o recém lançado DVD. Não sei quanto aos outros da caixa, mas este filme teve vários problemas de legendas mal traduzidas. Saltam aos olhos erros clássicos como traduzir "pretend" como pretender e muito erros de gênero - homens volta e meia falando "eu mesma" por exemplo. Uma falta de cuidado imperdoável.
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23:32 . Crimes, mitos e tabus O assasinato do casal de classe média pela filha foi a notícia de capa das principais revistas semanais. Em um artigo interessante, Bernardo Kucinski analisa porque a Veja escondeu a matéria no final da revista e escolheu uma matéria de calhau desinteressante para a capa. Segue um techo do texto, mas não deixe de lê-lo na íntegra.
"Ingrid Valéria Lisboa, aluna da PUC de São Paulo, mostrou numa tese recente sobre ?Veja? que a revista fala da classe média e em seu nome, quase como se fosse um jornal de sindicato falando em nome de sua categoria (Plano Collor em ?Veja? ? Uma abordagem de classe média ? PUC/SP), até quando reporta crimes. Quando se deu o crime do bar Bodega, em agosto de 1996, em que alguns assaltantes mataram jovens de classe média, ?Veja? sentenciou: "A morte bate às nossas portas".
?Veja? faz isso operando uma espécie de usina de sonhos, como explica Eugenio Bucci em seu ?Peixe morre pela boca? (Scritta Editorial,1993), por mecanismos silenciosos de estímulos e filtros que induzem todos os seus jornalistas a um denominador comum ideológico. Sua função última é dizer ao leitor o que ele deve pensar. Por isso seu gênero é essencialmente editorial. O texto padrão de ?Veja? é editorializado. E como ?Veja? poderia editorializar o crime de Suzane? Dessa vez não foi a violência que chegou de fora, lá do mundo dos pobres, como no crime do bar Bodega.
Na história de Suzane, a violência nasce no berço de ouro da classe média alta. A primeira violência, fonte das demais, é exercida por um pai controlador e autoritário, que não permite seu namoro com Daniel, um desempregado. Que a obriga a fazer jardinagem nos finais de semana e força o filho menor a fazer carpintaria. O pai que programou o destino dos filhos e até determinou que valores devem cultuar, erigindo para isso um sistema de tabus, de proibições. Na história desse crime, a violência é a própria família autoritária de classe média. Isso, ?Veja? não podia admitir. Preferiu pular. Registrou, apenas, para não dizerem que se omitiu completamente."
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Segunda-feira, Novembro 11, 2002 |
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00:09 . Bonde Meu amigo Rafael Rosenhayme reativou o seu Bonde Andando. Pelo menos até parar de novo.
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00:08 . Criando avestruz Por semanas um outdoor na Linha Vermelha anunciava um curso de criação de avestruz que aconteceria dia 9 no Iate Clube Jardim Guanabara. Não tenho notícias sobre a qualidade das aulas ministradas, mas se tiverem o mesmo nível do anúncio eu creio que o dinheiro dos alunos foi mal gasto. Assim como foi mal gasto o dinheiro dos organizadores, que alugaram um outdoor mal posicionado em uma via expressa no meio da cidade para anunciar o evento. Como se criar avestruz fosse um assunto de interesse tão genérico que seria bem capaz de qualquer um passar pela placa indo para o trabalho e ligar imediatamente solicitando a inscrição: "como nunca pensei nisso antes, vou criar avestruz!" Façam-me o favor!
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00:01 . Maldição Hoje um exemplar da Veja apareceu na porta da minha casa. Já cancelamos há muito tempo a assinatura, mas às vezes eles resolvem entregar uma ou outra para depois ligar mendigando uma renovação. Explicamos que não vamos querer nunca mais assinar a publicação mas eles parecem ignorar. Um tipo de marketing chatinho que combina com o estilo da revista.
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Sexta-feira, Novembro 08, 2002 |
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03:42 . Toni
 O Toni também não gosta da Veja não. Olha a cara dele!
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03:32 . Não veja Tem algum jeito de não ver nunca mais os outdoors da Veja? Eu queria me livrar de uma vez por todas de ler aquelas frases engraçadinhas e capas ridículas nos anúncios semanais da revista, tem como? Tem como cancelar a assinatura de outdoor?
Isso me lembra um adesivo de carro que eu vi há anos com a frase "a inveja é uma merda" - assim mesmo com "in" riscado - escrita na tipografia da revista. Faz sentido.
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03:11 . Noção de cena Eu sei que estou sempre destacando as colunas do Eugênio Bucci aqui, mas é inevitável. Esta semana ele desenvolveu mais sobre a super-exposição do Lula ao comparar as posturas Bussunda, William Bonner e FHC na TV. Seguem os últimos parágrafos.
"FHC, não o personagem, mas o FHC de fato, também tem noção de cena. Na semana passada, ao conceder uma entrevista ao Jornal Nacional, fez com que a televisão fosse até ele. Não foi até a televisão. Impôs os seus termos às câmeras, para não ser submetido aos termos impiedosos das câmeras vorazes, que sempre querem revelar mais do que lhe mostram. De algum modo, FHC sabe que não pode se confundir com o espetáculo banalizante. Não se expondo em demasia para o Bonner do Jornal Nacional, como o próprio Bonner não se expôs ao Serginho do Altas Horas, FHC não facilitou o trabalho de Bussunda do Casseta e Planeta. Não legitimou a banalização. O presidente se protegeu e sua autoridade ganhou com isso.
FHC, ao menos nesse quesito, vem agindo bem. No ofício da presidência, noção de cena é cada vez mais fundamental. A televisão existe para ser usada pelo presidente da República, e nunca para usá-lo. Não existe para reduzi-lo a um quesito a mais de seu cardápio de atrações. A noção de cena, para um presidente da República, é questão de segurança nacional."
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03:02 . Chapinha quente
 A Cora fez uma ótima coletânea dos textos que irritaram dona Rosângela ao ponto dela sair distribuindo processos por aí. Parece que a nossa queridíssima governadora eleita, além de só permitir deus no céu e ser declaradamente contrária à união de homossexuais, está querendo acabar com a liberdade de expressão por aí da mesma forma que o maridão proibiu a divulgação de umas fitas "muy" suspeitas pela Carta Capital.
No pacote o destaque vai para o texto do Jabor que está muito bom. Segue um trecho:
"É inacreditável que os intelectuais, acadêmicos, artistas e formadores de opinião, preocupados apenas em manter limpas suas consciências ideológicas, tenham se esquecido de combater essa terceira via terrível do populismo carioca, essa grave anormalidade sociológica que nos acometeu. Esqueceram-se de ajudar a Benedita, essa mulher corajosa que fez as únicas ações eficazes contra o tráfico. A desconhecida Solange (que o PSDB apoiou de afogadilho para o Serra ter palanque) e o pálido Jorge Roberto se ocuparam em atacá-la, deixando o cabelo chapinha de Rosinha intocado.
Agora, chegou a hora do lamento, os porres pessimistas: "O Rio não tem mais jeito... Ahhh... Vamos beber!" Sempre vemos as tragédias "depois", como só agora descobrimos as favelas, que eram "líricas" e esquecidas no passado, ao som do samba, sem armas. Agora, elas têm emprego: a cocaína. Tarde demais, doces malandros-otários. A paisagem nos aliena, a praia nos aliena, a beleza cultural nos aliena. Nós nos achamos "acima" do país, donos de uma ginga superior. Só pensamos em polícia, nunca em política. E o tráfico é um caso de política. Beira-Mar sabe bem disso."
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Quinta-feira, Novembro 07, 2002 |
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23:01 . Cubo mágico Sabe aquele cubo colorido que você nunca conseguia montar e quando se emputecia acabava descolando os adesivos coloridos e recolando em ordem para dizer para a irmã mais nova que você consegue montar e ela não? Pois é, tem uma versão maneira dele aqui.
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22:51 . Faz um Hang Loose Sou só eu ou você também não agüenta mais ver a Ana Paula Arósio enfiando um hang loose no ouvido?
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20:50 . Cariocas não gostam de dias nublados Uma coisa curiosa dos cariocas: eles param de funcionar na chuva. Basta passar uns dias em Londres que a gente percebe como aquele povo é acostumado com o tempo bunda da região. Se chove tudo continua funcionando perfeitamente. As pessoas vão as bancos, saem de carro, fazem compras, vão à faculdade... é um dia normal. Já aqui em São Sebastião parece que a chuva escorre para dentro das cabecinhas cariocas e dá um curto-circuito nas placas cerebrais. Os professores - e muitos alunos - chegam horas atrasados ou simplesmente somem da faculdade. Não que eles precisem de algum motivo para isso, mas a chuva é uma desculpa pra tudo. O trânsito fica tão caótico que parece até o tão falado dia do arrebatamento. Carioca não sabe dirigir na chuva, basta cairem os primeiros pingos pra todo mundo começar a dirigir devagar-quase-parando, cambaleando na pista como se estivesse caminhando descalço sobre um chão ensaboado. No centro da cidade as pessoas se degladiam em calçadas estreitas, um furando o olho do outro com os húmidos guardas-chuvas comprados por cinco reau. Nas filas de banco o tempo vira assunto obrigatório: hoje tá um dia feio né? Sim, quase paulistano. Um horror.
Em tempo: no Rio não tem dia feio, tem dia nublado.
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20:36 . Torneiras Três dias de chuva direto. Eu não sei quem é, mas tenho certeza de que quem controla o tempo é um cara muito irônico. Afinal, estávamos em um período de seca brava há tempos, faltando água o tempo todo sob um sol de quarenta graus. Agora parece que toda a chuva dos últimos três meses resolveu cair em três dias e a Lagoa tá até transbordando nas pistas. Curioso. Às vezes eu penso que o controlador do tempo é o nosso *estimadíssimo* prefeito César Maia. Ele tem essa política-factóide de não gastar nada do orçamento durante dois anos do mandato e depois esburacar toda a cidade e gastar os tubos em obras de maquiagem nos dois últimos anos de governo. Safado. Parece que vem mais chuva por aí. Seja quem for o coordenador das torneiras do céu eu peço o seu impeachment por pura incompetência administrativa.
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00:00 . Chico
 Por falar em acompanhar o crescimento, aí vaí uma foto do último ensaio do Chico. É impressionante a diferença de tamanho em relação às fotos anteriores. Já o comportamento continua quase o mesmo.
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Quarta-feira, Novembro 06, 2002 |
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23:49 . Fotos de família Há mais de quinze anos a família de Diego Goldberg tira fotos anuais de todos os integrantes para acompanhar o envelhecimento e crescimento dos filhos. O resultado depois de tanto tempo é um barato.
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Terça-feira, Novembro 05, 2002 |
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23:51 . Imagens que valem por mil palavras
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22:31 . Cadeia fashion A primeira indicação de uniforme para os presidiários mostrou que o pessoal do desipe não pegou bem o espírito da coisa. Afinal, nada mais comum do que trajar camiseta branca e calça jeans.
Eu sou a favor de seguir a última tendência nas cadeias dos EUA que é aquele macacão laranjão que a gente vê nos filmes. Um lance assim meio techno, super trend! Outra opção é seguir uma linha mais retrô com aquele tradicional modelito macacão listrado, uma coisa assim bem anos 30. Como acessório, sugiro contrabalançar com uma bola de ferro bem pesada e presa por uma corrente na canela. Daria um toque hiper leve no modelito, super "casual" e hiiiiiper "fashion" e aposto que acabava com essa viadagem de rebelião todo dia.
Os presos têm mais é que ficarem muito felizes com as roupas que receberem. Do jeito que as coisas estão, logo logo os mais radicais vão sugerir como melhor uniforme um tradicional paletó de madeira. E vão ser ouvidos.
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Segunda-feira, Novembro 04, 2002 |
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03:37 . O poeta e eu
 É claro que não resisti à tentação de tirar uma foto fingindo que estou lendo ao lado da estátua do Drummond. Era bem o dia do centenário e eu não poderia deixar de dar esse vexame. Se você prestar bastante atenção, vai ver que o poeta está esticando o pescoço para filar o meu livro. Safado.
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03:32 . O poeta em Copa Pelo pouco que sei, o Drummond estaria morrendo de vergonha de ficar sentado naquele banco tirando fotos com todos que passam. No dia do centenário, a estátua esteve constantemente circundada por fãs e muitos curiosos. E quem conhece a fauna de Copacabana sabe que esses curiosos são de qualquer tipo. Os tipos mais incríveis.
Quando chegamos um grupo de adolescentes estava se armando na frente da estátua para fazer um jogral em homenagem ao poeta. Fizeram. Cada um falando um trechinho da poesia, com uma certa timidez e com a rapidez de quem decorou o texto mas não pensou no que ele realmente significa. Foi curto e valeu. Tempo para mais gente sentar ao lado da figura e tirar uma foto. Uma menininha linda sentou, mexeu na flor que estava na mão do poeta - provavelmente presente de um outro fã - e tirou uma foto. Mais velhinhas chegaram. Copacabana é um dos bairros com maior densidade velhinhas do Rio e naquele dia todas tinham um causo para contar sobre o poeta, mesmo que inventado. Contos plausíveis.
Em mais um jogral daquele grupo - dessa vez mais constrangedor - eles cantarolavam que no meio do caminho tinha uma pedra. Poemas musicados. Me lembrou o vocalista do Skank - aquele com cara de playmobil - cantando uma versão musicada do Poema de Sete Faces no trailer do filme. Péssimo. Dessa vez o jogral tirou menos aplausos dos velhinhos. Uma vendedora hipponga de colares e artesanato sentou-se ao lado do poeta e lhe fez um carinho. Sentou como se pousasse para uma foto e ficou por uns dois minutos. Depois levantou, deu um beijão na cabeça da estátua e foi embora toda serelepe. Um senhor de cadeira de rodas, empurrado por uma senhora com de lenço e bobs no cabelo e acompanhado por um cachorro chiuaua com roupa chegam, felinianamente, à cena.
O grupo inicia mais um jogral. Na verdade repetem o primeiro, só que menos entusiasmados. Uma das velhinhas chega ao meu lado e pergunta: "Esse aí é aquele que deu no jornal que colocaram ele sentado aí?" Respondi que sim, era a estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade e que havia sido colocada ali no dia anterior. "Aaaannhhh..." - ela falou pensando olhando a estátua para logo depois concluir - "Mas ele era preto?".
O jogral já estava disperso, mas se reuniram para cantar mais uma vez aquele número da pedra. Meu Deus! Dois jovens gringos com sotaque britânico vieram confirmar de quem era a estátua que eles tinham visto na TV. Expliquei. Eles pareciam melhor informados do que muitos dos cariocas que por ali estavam. Tirei mais algumas fotos das pessoas ao redor da estátua. Uma mulher que andava apressada e com os olhos vermelhos como duas bandeiras do PT se aproximou da Ana e a cutucou com o cotovelo: "Meniiiiiiina, que babado é esse aqui na praia? Jogaram tinta no homem? Que doideira!!!!" A Ana explicou que não, era uma estátua. "Estáutua? Que doideeeeira!!" E saiu andando rápido, coçando o nariz e falando sozinha. Uma das velhinhas dá um loooooooongo abraço no poeta e lhe sapeca um beijo na testa enquanto outra senta ao seu lado e segura a sua mão, como se fossem bons amigos. Íntimos.
A esta hora o grupo de jogral estava sentado na calçada. Desanimados - provavelmente com a ausência de uma câmera do RJ TV para registrar o número - não se apresentram de novo. Alegria nos nossos ouvidos. Um garoto deficiente mental que vinha caminhando sozinho pelo calçadão é atraído pela confusão e vai direto para a frente das câmeras. Senta-se ao lado do poeta, o cumprimenta com o dedão em riste e sorri, como quem senta ao lado de um amigo e fala "e aí, beleza?". Mas boca do Drummond não disse palavra. Ele não se importou, não sairia dali tão cedo. Já eu saí. Feliz após ter tirado as minhas fotos.
Na manhã do dia seguinte me deparo com a notícia de que a estátua tinha amanhecido pichada. Prova de que na fauna de copa, infelizmente, nem todos são malucos beleza.
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02:10 . O poeta aos cem
 Poema de Sete Faces
Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas. Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. Porém meus olhos não perguntam nada.
O homem atrás do bigode é sério, simples e forte. Quase não conversa. Tem poucos , raros amigos o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer mas essa lua mas esse conhaque botam a gente comovido como o diabo.
Carlos Drummond de Andrade
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01:49 . O passado que convém Outro dia eu comentava o meu incômodo em ver o presidente eleito participando um pouco demais dos programas jornalisticos da Globo. Pois bem, o Eugênio Bucci escreveu uma coluna primorosa sobre a vênus prateada e sua relação com presidente. Como eu não resisto, vou colocar uns trechos aqui, o resto você lê no site do JB.
"(...) Bem, a não ser pelo fato de que, logo após sua fala oficial, Lula despencou dentro do Fantástico. De repente, ele, que não responderia às perguntas dos jornalistas presentes, passou a responder ao comando de Pedro Bial e Glória Maria. Por que privilegiar a Globo? Eis a quebra de protocolo que ocasionou o pequeno mal-estar. Mas foi apenas isso, um pequeno mal-estar inicial. De resto, reconheçamos todos que a informalidade da conversa entre Lula e o Fantástico humanizou a noite, mostrou as dimensões que fazem dele um mito, uma lenda viva no Brasil. Apareceu ali, naquele breve quadro, o migrante que virou líder operário e preso político e que, aos 57 anos, chega ao poder sem carregar ressentimentos. Ver Lula reagindo às palavras de seu carcereiro foi um desses momentos inesquecíveis da TV. Justificou a tal quebra de protocolo. Que é incômoda, repito, mas está longe de ser um problema sério.
O problema sério é outro: é a assustadora capacidade que a televisão tem de montar e remontar o passado segundo as conveniências da ocasião. As conveniências dela, TV, e não as conveniências daqueles a quem ela diz que quer homenagear. Ao trazer Lula para dentro de seu próprio formato, ao ''engolir'' Lula, o Fantástico se pôs a recondicionar, diante dos olhos do eleito, o passado do Brasil. No domingo, dia 27, não foi apenas o presente que mudou. O passado também mudou. Imagens que até ontem eram banidas da TV viraram a iconografia oficial da História do Brasil.
A Globo mostrou as cenas do ABC nos anos 80, com greves, prisões, passeatas, protestos. Mas, atenção, mostrou como História episódios que, na época, não foram veiculados por ela como notícia. A Globo mostrou as assembléias mas não mostrou, nem mencionou, os protestos que ela mesma, Globo, merecia dos operários em greve (que gritavam ''Fora a Rede Globo, o povo não é bobo''). A Globo não mostrou, enfim, qual foi sua atuação para a permanência da ditadura que prendeu Lula e tantos outros.
Ela hoje traz à tela o carcereiro, que sai perdoado, mas continua ocultando a si mesma. E tudo termina como num melodrama em happy end, como se o perdão amplo, geral e irrestrito ao policial incluísse o esquecimento amplo, geral e irrestrito ao papel do narrador que, no passado, falsificava o presente, assim como hoje, no presente, falsifica o passado, ou seja, esconde o seu próprio passado. Esse narrador é a TV e, de modo especial, a Globo(...)"
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Domingo, Novembro 03, 2002 |
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05:46 . Amarelo Mudando um pouco as cores e as coisas por aqui, espero que gostem. Como não estavam funcionando muito bem em português, as datas agora são em catalão. Acho que vou mudar a língua de tempos em tempos.
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